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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ainda aí? Alguém vai ler?

Não sei o que é mais sinistro: Meu blog ainda estar no ar, ou se é eu ter lembrado a senha!

Enfim, tudo que sei é que nada sei, mas ainda sei a senha, então decidi escrever.

Bem...

EU TENHO PRECONCEITOS! E você também os tem, admita. Todos nós temos nossos próprios preconceitos e pré-conceitos. TODOS! Sem excessão. Pois somos seres sociais. Nascemos e crescemos em um meio onde o machismo, o conceito cristão, a supremacia branca, o nível social, o padrão cis-hétero-normativo (etc.) imperam. Preconceitos são jogados no nosso cérebro a cada momento. Criam raízes na nossa mente. Agem de forma inconsciente. A diferença é que EU estou disposta a admitir meus preconceitos e a lutar contra eles.
Se você está em uma rua quase deserta as 10 horas da noite e na mesma calçada que você tem um garoto negro, e do outro lado da rua tem um garoto branco, você instintivamente atravessa, pois seu cérebro se adaptou ao conceito de que é mais fácil ser assaltado ou morto por um negro do que por um branco. Basta ligar os telejornais e ver as fotos dos "assaltantes", "ladrões", etc. Todos negros, ou quase negros ("ou quase brancos quase negros de tão pobre", como já diria Caetano e Gil). Você cria no seu inconsiente a idéia de que o negro é perigoso.
O mesmo com relação à mulheres. Uma mulher que fica em casa cuidando dos filhos para que seu marido trabalhe não é taxada de "vagabunda" ou "aproveitadora". Um casal onde o marido não trabalha para cuidar dos filhos e a esposa é quem paga as contas é visto com maus olhos. O homem é taxado de "vagabundo" ou "aproveitador". O machismo nosso de cada dia culpa a vítima do estupro por sair sozinha, sair tarde da noite, ou usar roupas provocadoras. O culpado nunca é o estuprador.
Com relação aos homossexuais, o preconceito não fica atrás. Se um homossexual ou transexual é discriminado no trabalho, a culpa não é de quem discriminou. É do homo ou transexual que "esfrega sua condição na cara dos outros impondo que deve ser aceito". Mas é claro que as pessoas devem se impor. Claro que as pessoas devem lutar por aceitação. Um homem pode apresentar a namorada no trabalho que nunca será taxado de "jogar a sua orientação sexual na cara dos colegas de trabalho". Se um homossexual leva x namoradx para uma festa da empresa, é acusado de "se expor sem necessidade".
Até quando vamos aceitar o preconceito que nos jogam goela abaixo?
Um bando de playboyzinhos, há mais de 10 anos atrás colocaram fogo em um índio pataxó em um ponto de ônibus. Foi uma "brincadeira". E ninguém foi preso.
Outro bando de playboyzinhos espancaram um suspeito de furto lá no RJ. O amarraram, espancaram. Quero ver se vão responder legalmente por seus atos.

Quando é um negro que reage contra o racismo, ou um homossexual que reage contra a homofobia ninguém aplaude. Dizem: "Olha aí, como os da espécie dele não são civilizados". A Rachel Shehezade não faz um comentário épico dizendo "como ele foi corajoso em reagir e se defender".

Estamos presos. TODOS nós, mesmo o homem-branco-cis-hétero-cristão-classe-média-alta está preso. Está pagando.

É tudo um efeito "bola de neve". Somos TODOS vítimas do sistema. E somos TODOS cúmplices dele.

"Travesti é tudo puta" - mas ninguém dá um emprego dígno para elas!
"Gay é tudo promíscuo" - aposto que você não conhece muitos gays. Os héteros não ficam para trás... a proporção é a MESMA.
"Mulheres odeiam umas às outras" - tenho amigas mulheres, as amo, coloco a mão no fogo por todas elas!
"Nordestino é burro e preguiçoso" - Pasme, São Paulo foi construída por nordestinos e algumas das melhores Universidades do Brasil ficam no nordeste.
"Negro é tudo ladrão" - Talvez a taxa de assaltantes negros e pardos seja maior que a de assaltantes brancos porque a maior parte da população brasileira seja dessa cor. E tem mais: Entrevista de trabalho: entre um negro e um branco, sempre irão preferir o branco, mesmo que ambos sejam qualificados. Desde o final da escravidão até hoje, poucas propostas de inclusão da população negra em cursos superiores e melhores condições de trabalho foram sugeridas.

A branca empresária foi assaltada. Por um rapaz negro. Culpa-se o rapaz negro, mas a branca também é culpada, se não MAIS ainda. Essa mesma branca, empresária, é a que só contrata funcionários de "boa aparência". Nada de negros ou negras. A não ser morenos claros desde que prendam o "cabelo ruim". O negro desempregado. O negro no sub-emprego. O pobre sem cor na favela. O pobre sentindo a discriminação. A frustração. De ver as pessoas das "zonas sul" vivendo bem. Discriminando os "emergentes" que andam de avião. Que são contra a democratização dos transportes aéreos (pobre só pode viajar de ônibus, ninguém merece um pobre de rodoviária do seu lado na poltrona do avião, né?). A insegurança, a discriminação, a falta de bons empregos. Uma hora a população pobre se revolta. Não tem nada à perder. Se arrisca. Furta um aqui, assalta outro acolá.

Eu sei que tem muita gente na marginalidade por que quer.
Mas e aqueles que não optaram por isso? Que furtaram um litro de leite para alimentar o irmão caçula? Esses são os que merecem apanhar?
E aqueles que roubam o SEU dinheiro? O MEU dinheiro todos os dias? Aqueles que fazem propaganda contra as drogas. Se fazem de reacionários proibindo o uso de entorpecentes e vendem drogas por debaixo do pano. E sem pagar impostos. Claro que esses políticos são contra a discriminação e legalização das drogas. Se legalizar eles terão que pagar impostos.

Todos nós agimos muitas vezes sem pensar.

Ninguém pensa que o que negamos hoje pode volta para nós. Que a transexual que negamos emprego pode passar uma doença para nossos pais, irmãos, tios, filhos. Sem contar na saúde dela mesma, que, sem opção, teve que se prostituir.
Ninguém pensa que ao negarmos um emprego ao morador de rua, ao pobre, ao negro, nós estamos contribuindo com a marginalidade.
Ninguém pensa que ao discriminarmos o passageiro do nosso lado do avião, estamos discriminando nosso futuro cunhado, genro... nosso irmão.
Ninguém pensa no efeito a longo prazo de seus atos.
NINGUÉM!

A onda é julgar os outros. É fazer apologia à linchamentos.

Só não se esqueçam que amanhã, você pode ser confundido com um "marginal".
Um dia você pode ser assaltado, seu carro pode morrer no meio do caminho, você pode ser obrigado a andar a pé na chuva, ter roupas detonadas, e ser linchado confundido com um morador de rua.
Um dia você pode abraçar seu irmão na rua e ser linchado e apedrejado por ser confundido com um homossexual.
O que você faz sempre volta para você!
Se hoje você me atira uma pedra. Amanhã, alguém, como vc, lhe atirará outra.

Vamos continuar uns julgando os outros? Vamos continuar nos atirando pedras uns nos outros enquanto os donos desse país fazem a festa com o nosso dinheiro?

Enquanto perdemos tempo ofendendo e agredindo gays, enquanto nos preocupamos em agredir e matar uns aos outros, os donos do mundo estão aí, nos assistindo, nos aplaudindo e rindo na nossa cara de otários. Enquanto estamos distraídos comprando briga entre nós mesmos, eles tomam nosso dinheiro... e compram mais concessões à rádios e televisões. E se candidatam de novo aos mesmos cargos. E nós? Seremos cegos e aceitaremos isso tudo até quando?
Já parou pra pensar nisso?
Pois eu penso... todos os dias. E estou disposta a mudar. Só posso começar por mim mesma. Mas sou uma só. Se cada um fizer a sua parte, o país vai mudar. É fácil botar a culpa no outro, no gay, no negro, no assaltante, nos nossos governantes. Mas o que estamos fazendo para mudar realmente esse país?

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